Sabe-se que o Mountain Bike é uma competição com largada em massa, caracterizada com várias voltas em um circuito montanhoso, com duração de aproximadamente 120 min e intensidade média de 90% da freqüência cardíaca máxima e 84% do VO2Máx. Tem sido postulado que uma alta potência e capacidade não-aeróbia são importantes para as demandas fisiológicas das competições de XCO. Entretanto, pouco se conhece sobre a relação entre os índices não aeróbios e o desempenho em competições de XCO, estabelecendo-se assim uma importante lacuna do conhecimento para investigação. O objetivo do estudo foi o de estimar o desempenho em duas competições de Mountain Bike, uma durante o Campeonato Brasileiro e a outra durante a Campeonato Lagos MTB a partir de variáveis não-aeróbias. Foram realizados vários testes de potência não-aeróbia e um teste progressivo máximo. Dentre os testes de potência não-aeróbia utilizados, um dos mais conhecidos, é o Wingate de 30 s, durante o qual o testado, pedala o maior número de vezes contra uma resistência fixa, objetivando gerar a maior potência possível nesse período de tempo. Outro teste realizado foi o de 5 x Wingate de 30 s com descanso passivo de 30 s (5 x [30s máximo / 30s repouso]). Sua aplicação serve para medir a potência e a capacidade não aeróbia e a capacidade de recuperação do sistema energético dos atletas. O teste foi projetado para simular aspectos únicos do XCO, que exigem esforços sucessivos de alta intensidade combinados com períodos de mínima recuperação, como uma serie de subidas curtas com elevado nível de dificuldade. O Teste não aeróbio máximo de ciclismo (MACT) foi mais um teste realizado pelos atletas. Este serve para determinar os componentes neuromuscular e metabólico do desempenho não-aeróbio máximo. São realizados estímulos progressivos com 20 s de duração intercalados com 100 s de recuperação até a máxima intensidade tolerada (n x [20 s progressivo (90% a 200% VO2Máx) / 1 min 40s repouso]). O consumo máximo de oxigênio e a potência máxima foram determinados por um teste progressivo máximo, os valores podem ser determinados pelo consumo de oxigênio ou pela sua potência alcançada, de forma absoluta (L/min ou W) e relativa ao peso corporal (ml/kg/min ou W/kg). A forma relativa ao peso corporal é muito importante, pois é ela que provavelmente definirá o rendimento do atleta na competição. Um bom exemplo para se entender essa relação foi dado pelo Prof. Marcelo Hendel, que fez uma comparação simples entre um carro e uma moto. Se o carro, no caso um VW Golf GTI, que pesa 1,330 kg e possui uma potência máxima de 180 cavalos (1,330 kg ÷ 180 cv = 7,4 kg/cv, cada cavalo de potência do motor do Golf GTI vai impulsionar 7,4 quilogramas de peso do carro). No caso da moto, uma Honda CBR 1000 RR Fireblade, que pesa aproximadamente 180 kg e desenvolve uma potência de 171,3 cavalos (180 kg ÷ 171,3 cv = 1,05 kg/cv, cada cavalo do motor da moto vai impulsionar pouco mais de 1 kg), justamente por isso que a Fireblade chega próximo aos 300 km/h e acelera de 0-100 km/h em 3 segundos e o Golf GTI acelera de 0-100 km/h em 8 segundos e possui velocidade máxima estimada em pouco mais de 200 km/h. A relação peso-potência da moto é muito superior a do carro. Essa é a grande diferença que determina quem é o mais veloz. No ciclismo acontece exatamente a mesma coisa. Por exemplo dois atletas com uma potência máxima de 400W cada um, mas um deles pesa 60 kg e outro pesa 80 kg, o ciclista de 60 kg terá um rendimento melhor, pois terá uma potência relativa de 6,7 W/kg e o outro 5,0 W/kg. Na pratica é isso o que separa um atleta de Elite de um atleta amador.
Os resultados do estudo destacaram a importância da contribuição das variáveis não-aeróbias como instrumento de avaliação e predição do desempenho no XCO, somente quando foram relativos à massa corporal, mostrando a importância da potência e capacidade não-aeróbia e da composição corporal na seleção e treinamento dos atletas deste esporte.
Abaixo uma tabela comparativa entre os atletas do Estado do Rio de Janeiro com atletas de nível Internacional. Os resultados indicam que os atletas do Rio de Janeiro apresentam características morfológicas semelhantes aos atletas internacionais, sendo que os valores das variáveis fisiológicas são menores. Em estudos futuros, vamos procurar encontrar qual o melhor tipo de treinamento que deverá ser realizado para aumentar o desempenho em atletas de XCO. Os voluntários que desejarem participar do estudo realizarão os testes de forma gratuita e receberão todas as informações provenientes dos testes realizados.
| Atletas | Rio de Janeiro | Internacionais |
| Estatura (cm) | 176 | 176 |
| Massa (kg) | 67,8 | 66,2 |
| % Gordura | 5,5 | 5,1 |
| Wmáx (W) | 365 | 426 |
| Wmáx (W/kg) | 5,4 | 6,4 |
| VO2máx (L/min) | 4,6 | 5,1 |
| VO2máx (ml/kg/min) | 68,1 | 76,9 |
| Wingate Pmáx (W) | 982 | 963 |
| Wingate Pmed (W) | 822 | 804 |
| Wingate Pmáx (W/kg) | 14,5 | 14,7 |
| Wingate Pmed (W/kg) | 12,1 | 11,2 |
| 5 X Wingate Pmáx (W) | 496 | 519 |
| 5 X Wingate Pmed (W) | 464 | 467 |
| 5 X Wingate Pmáx (W/kg) | 7,3 | 7,6 |
| 5 X Wingate Pmed (W/kg) | 6,8 | 6,8 |
Wmáx (W): Potência máxima em Watts
Wmáx (W/kg): Potência máxima relativa a massa corporal
VO2máx (L/min): consumo máximo de oxigênio em litros por minuto
VO2máx (ml/kg/min): consumo máximo de oxigênio relativo a massa corporal
Wingate Pmáx (W): Potência máxima no teste de Wingate
Wingate Pmed (W): Potência média no teste de Wingate
Wingate Pmáx (W/kg): Potência máxima relativa a massa corporal no teste de Wingate
Wingate Pmed (W/kg): Potência média relativa a massa corporal no teste de Wingate
5 X Wingate Pmáx (W): Potência máxima no teste de 5 x Wingate
5 X Wingate Pmed (W): Potência média no teste de 5 x Wingate
5 X Wingate Pmáx (W/kg): Potência máxima relativa a massa corporal no teste de 5 x Wingate
5 X Wingate Pmed (W/kg): Potência média relativa a massa corporal no teste de 5 x Wingate.
Informações: Prof. Esp. Allan Inoue Rodrigues ou Prof. Dr. Tony Meireles dos Santos
E-mail: allan_inoue@hotmail.com
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