Avaliação Morfo-Funcional de Atletas de Mountain Bike na Universidade Gama Filho

Recentemente foi realizada na Universidade Gama Filho, uma série de avaliações morfo-funcionais em atletas de Mountain Bike do estado do Rio de Janeiro, que fizeram parte do estudo do Prof. Esp. Allan Inoue Rodrigues (Japa) mestrando em Educação Física na área de Atividade Física e Desempenho Humano desta Instituição, sob a orientação do Prof. Dr. Tony Meireles dos Santos.

Sabe-se que o Mountain Bike é uma competição com largada em massa, caracterizada com várias voltas em um circuito montanhoso, com duração de aproximadamente 120 min e intensidade média de 90% da freqüência cardíaca máxima e 84% do VO2Máx. Tem sido postulado que uma alta potência e capacidade não-aeróbia são importantes para as demandas fisiológicas das competições de XCO. Entretanto, pouco se conhece sobre a relação entre os índices não aeróbios e o desempenho em competições de XCO, estabelecendo-se assim uma importante lacuna do conhecimento para investigação. O objetivo do estudo foi o de estimar o desempenho em duas competições de Mountain Bike, uma durante o Campeonato Brasileiro e a outra durante a Campeonato Lagos MTB a partir de variáveis não-aeróbias. Foram realizados vários testes de potência não-aeróbia e um teste progressivo máximo. Dentre os testes de potência não-aeróbia utilizados, um dos mais conhecidos, é o Wingate de 30 s, durante o qual o testado, pedala o maior número de vezes contra uma resistência fixa, objetivando gerar a maior potência possível nesse período de tempo. Outro teste realizado foi o de 5 x Wingate de 30 s com descanso passivo de 30 s (5 x [30s máximo / 30s repouso]). Sua aplicação serve para medir a potência e a capacidade não aeróbia e a capacidade de recuperação do sistema energético dos atletas. O teste foi projetado para simular aspectos únicos do XCO, que exigem esforços sucessivos de alta intensidade combinados com períodos de mínima recuperação, como uma serie de subidas curtas com elevado nível de dificuldade. O Teste não aeróbio máximo de ciclismo (MACT) foi mais um teste realizado pelos atletas. Este serve para determinar os componentes neuromuscular e metabólico do desempenho não-aeróbio máximo. São realizados estímulos progressivos com 20 s de duração intercalados com 100 s de recuperação até a máxima intensidade tolerada (n x [20 s progressivo (90% a 200% VO2Máx) / 1 min 40s repouso]). O consumo máximo de oxigênio e a potência máxima foram determinados por um teste progressivo máximo, os valores podem ser determinados pelo consumo de oxigênio ou pela sua potência alcançada, de forma absoluta (L/min ou W) e relativa ao peso corporal (ml/kg/min ou W/kg). A forma relativa ao peso corporal é muito importante, pois é ela que provavelmente definirá o rendimento do atleta na competição. Um bom exemplo para se entender essa relação foi dado pelo Prof. Marcelo Hendel, que fez uma comparação simples entre um carro e uma moto. Se o carro, no caso um VW Golf GTI, que pesa 1,330 kg e possui uma potência máxima de 180 cavalos (1,330 kg ÷ 180 cv = 7,4 kg/cv, cada cavalo de potência do motor do Golf GTI vai impulsionar 7,4 quilogramas de peso do carro). No caso da moto, uma Honda CBR 1000 RR Fireblade, que pesa aproximadamente 180 kg e desenvolve uma potência de 171,3 cavalos (180 kg ÷ 171,3 cv = 1,05 kg/cv, cada cavalo do motor da moto vai impulsionar pouco mais de 1 kg), justamente por isso que a Fireblade chega próximo aos 300 km/h e acelera de 0-100 km/h em 3 segundos e o Golf GTI acelera de 0-100 km/h em 8 segundos e possui velocidade máxima estimada em pouco mais de 200 km/h. A relação peso-potência da moto é muito superior a do carro. Essa é a grande diferença que determina quem é o mais veloz. No ciclismo acontece exatamente a mesma coisa. Por exemplo dois atletas com uma potência máxima de 400W cada um, mas um deles pesa 60 kg e outro pesa 80 kg, o ciclista de 60 kg terá um rendimento melhor, pois terá uma potência relativa de 6,7 W/kg e o outro 5,0 W/kg. Na pratica é isso o que separa um atleta de Elite de um atleta amador.

Os resultados do estudo destacaram a importância da contribuição das variáveis não-aeróbias como instrumento de avaliação e predição do desempenho no XCO, somente quando foram relativos à massa corporal, mostrando a importância da potência e capacidade não-aeróbia e da composição corporal na seleção e treinamento dos atletas deste esporte.
Abaixo uma tabela comparativa entre os atletas do Estado do Rio de Janeiro com atletas de nível Internacional. Os resultados indicam que os atletas do Rio de Janeiro apresentam características morfológicas semelhantes aos atletas internacionais, sendo que os valores das variáveis fisiológicas são menores. Em estudos futuros, vamos procurar encontrar qual o melhor tipo de treinamento que deverá ser realizado para aumentar o desempenho em atletas de XCO. Os voluntários que desejarem participar do estudo realizarão os testes de forma gratuita e receberão todas as informações provenientes dos testes realizados.

AtletasRio de JaneiroInternacionais
Estatura (cm)176176
Massa (kg)67,866,2
% Gordura5,55,1
Wmáx (W)365426
Wmáx (W/kg)5,46,4
VO2máx (L/min)4,65,1
VO2máx (ml/kg/min)68,176,9
Wingate Pmáx (W)982963
Wingate Pmed (W)822804
Wingate Pmáx (W/kg)14,514,7
Wingate Pmed (W/kg)12,111,2
5 X Wingate Pmáx (W)496519
5 X Wingate Pmed (W)464467
5 X Wingate Pmáx (W/kg)7,37,6
5 X Wingate Pmed (W/kg)6,86,8

Wmáx (W): Potência máxima em Watts
Wmáx (W/kg): Potência máxima relativa a massa corporal
VO2máx (L/min): consumo máximo de oxigênio em litros por minuto
VO2máx (ml/kg/min): consumo máximo de oxigênio relativo a massa corporal
Wingate Pmáx (W): Potência máxima no teste de Wingate
Wingate Pmed (W): Potência média no teste de Wingate
Wingate Pmáx (W/kg): Potência máxima relativa a massa corporal no teste de Wingate
Wingate Pmed (W/kg): Potência média relativa a massa corporal no teste de Wingate
5 X Wingate Pmáx (W): Potência máxima no teste de 5 x Wingate
5 X Wingate Pmed (W): Potência média no teste de 5 x Wingate
5 X Wingate Pmáx (W/kg): Potência máxima relativa a massa corporal no teste de 5 x Wingate
5 X Wingate Pmed (W/kg): Potência média relativa a massa corporal no teste de 5 x Wingate.


Informações: Prof. Esp. Allan Inoue Rodrigues ou Prof. Dr. Tony Meireles dos Santos

E-mail: allan_inoue@hotmail.com

Benefícios da ingestão adequada das fibras para os ciclistas

Reavaliar os hábitos alimentares e procurar alternativas para melhorar a qualidade da alimentação são maneiras de se manter com saúde. Entre os diversos nutrientes componentes de uma boa alimentação, as fibras atuam como um nutriente de grande importância para o bom funcionamento do sistema digestivo. Entre as diferentes funções que desempenham, colaboram para a manutenção do peso, pois aumentam de volume no estômago e trazem sensação de saciedade ajudando na diminuição da ingestão de outros alimentos.
Vários estudos científicos tem mostrado que comer alimentos ricos em fibras ajuda a prevenir o aparecimento de doenças crônicas, como alguns tipos de câncer, diabetes, obesidade e alterações das concentrações de colesterol do sangue. Uma das conseqüências da falta de fibras na dieta é a constipação intestinal, que é o mesmo que prisão de ventre.
Os hábitos alimentares modernos incluem alimentos ricos em gordura, responsáveis pelo aumento de colesterol no sangue. Nesses casos, a ingestão de fibras também auxilia a diminuir os danos causados ao organismo, já que as fibras têm o poder de eliminar parte da gordura dos alimentos para fora do corpo. Os alimentos com fibras também ajudam na prevenção do Diabetes tipo II, retendo os açúcares e reduzindo a quantidade que o organismo iria absorver.
Por diversos mecanismos está comprovado que comer alimentos ricos em fibras podem contribuir de forma benéfica para o metabolismo:
  • A elevada capacidade deste nutriente de reter água junto com sua baixa quantidade de calorias, contribuem na diminuição da quantidade calórica da refeição;
  • Como é necessária maior mastigação dos alimentos ricos em fibras, ocorre maior produção e liberação da saliva e dos sucos digestivos, que diminuem a sensação de fome;
  • O bolo alimentar fica retido mais tempo no estômago, diminuindo assim a fome e prolongando a sensação de saciedade;
  • Diminui a absorção de gorduras no intestino.
Com base em diversos estudos científicos, podemos avaliar que a dieta habitual do brasileiro é pobre em fibras (que estão em alimentos integrais, frutas, legumes e verduras) e é rica em gordura (frituras e alimentos industrializados), o que favorece o aparecimento destas doenças crônicas que foram anteriormente mencionadas.
Quais alimentos contém fibras?
Os tradicionais cereais (aveia, linhaça, centeio, granola), legumes, verduras, frutas (principalmente quando se come com a casca, como é o caso da maçã e da pêra), as barras de cereais, biscoitos integrais, pães integrais e arroz e macarrão integral, são grandes exemplos.
O consumo de produtos integrais e não industrializados é sempre a alternativa mais saudável.

Paula Paraguassú Brandão

Hidratação de atletas de Elite

Água é importante para os músculos que geram calor, aumentando a temperatura corpórea. A ingestão adequada de água facilita a transpiração, a evaporação do suor e o esfriamento do corpo. Se o atleta não repõe a água que transpirou bebendo líquidos, o balanço de água no corpo não funcionará bem e o organismo pode ficar superaquecido.

Em dias úmidos, o suor não evapora com facilidade e o corpo não esfria. Esta situação pode facilitar o superaquecimento do corpo. Para atividades que duram até 1 hora, a água é a bebida mais indicada, e para atividades com tempo de duração maior que 1 hora, as bebidas com água e carboidratos (= açúcar ou maltodextrina diluída) são as mais indicadas.

Existem várias recomendações diferentes para a ingestão adequada de água para atletas. Segundo a Associação Americana de Nutrição, o atleta deve obedecer o seguinte esquema para a reidratação:
  • 1 a 2 horas antes do evento, treino ou competição, o atleta deve beber 300 a 420ml de água fria (temperatura do líquido deve ser menor que a temperatura ambiente);
  • 10 a 15 minutos antes do evento o atleta deve beber 300 a 360 ml de água fria;
  • Durante o evento, o atleta deve beber 120 a 180 ml de água fria a cada 15 a 20 minutos;
  • Após o exercício, o atleta deve beber 480 ml de líquidos frios para cada 450g de água perdidos no peso corporal;
A recomendação da ingestão de água, segundo o Colégio Americano de Medicina Esportiva (ACSM), para qualquer tipo de exercício que dure mais de 1 hora é beber de 600 ml a 1200 ml por hora de água ou bebida esportiva durante o exercício. Em exercícios prolongados, que ultrapassam 1hora de duração, recomenda-se beber líquidos que contenham a água, carboidratos (= açúcar ou maltodextrina diluída) e sódio para repor as perdas no suor.

A recomendação da ingestão de água para crianças, segundo Academia Americana de Pediatria, é ingerir 150 ml de água potável gelada ou de uma bebida esportiva contendo sais a cada 20 minutos para uma criança pesando 40 kg durante a atividade física e 250 ml para um adolescente pesando 60 kg.

Respeitar a boa hidratação é respeitar seu corpo. Não deixe de beber água e, ao treinar ou competir, respeite as recomendações de bebidas esportivas que contem água, açúcar e sais.

Paula Paraguassú Brandão